Mostrando postagens com marcador Contos dos Cantos do Mundo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Contos dos Cantos do Mundo. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Contos dos Cantos do Mundo V - Os baobás


Os baobás são originários da África ( a maioria das suas espécies). Essas árvores gigantescas, que sobrevivem em ambientes muito áridos, tem uma capacidade incrível de armazenar em seu tronco até 120.000 litros de água!

Há várias lendas a respeito dos baobás, sua ancestralidade e sua história. Umas delas é a de que o formato de seus galhos representariam o sofrimento do povo africano, como braços estendidos para os céus, clamando pela piedade divina.

Mas a mais bonitinha conta que o  baobá teria sido a primeira árvore que Deus criou, ao lado de um lago. Quando Deus ia criando árvore de outras espécies, o Baobá olhava através do reflexo no lago e questionava cheio de inveja:

- Porque aquela árvore tem as folhas amarelas e eu não tenho?

Deus respondia que ele tinha sido o primeiro a ser criado e, por isso, era o mais querido, mas o baobá continuava a questionar e reclamar do que não tinha. Então, Deus teria se enfurecido e virado o Baobá de cabeça para baixo. O que ficou pra cima teriam sido as raízes e a cabeça do Baobá enterrada no chão.


Dizem que por isso as pessoas ficam embaixo do Baobá, a escutar seus conselhos. Ela seria a árvore mais antiga e todas as histórias do mundo estariam contidas no Baobá.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Contos dos Cantos do Mundo V



O óleo da vida

É muito comum, viajando na Europa, depararmo-nos com campos imensos de oliveiras, principalmente nos países que circundam o Mar Mediterrâneo.






As oliveiras são muito valorizadas  desde sempre, mas a colheita das azeitonas implica um bocado de sacrifício, pois são um fruto que não pode ser consumido diretamente , devendo ser antes beneficiado, e precisam ser colhidos durante o rigor do inverno.




Conta-se que foi "Atena, brigando com Poséidon pelo domínio, quem plantou  a primeira oliveira nas pedras da Acrópole, proclamando que era o fruto da civilidade. Um fruto como nenhum outro. Ela disse que a carne de uma azeitonas era amarga como o ódio e rara como o verdadeiro amor, que amaciá-la, espremer seu sangue verde-dourado, exigia esforço. A azeitona era como a vida e a luta por ela tornou seu óleo sagrado,  pois ele confortava e alimentava o homem do nascimento até a morte. E o óleo da deusa se tornou um elixir. Seus pingos doces e lentos nutriam o queijo de ovelha, uma concha fortalecia as cebolas selvagens cozidas em uma fogueira com gravetos. Queimado numa lamparina de barro, o azeite iluminava a noite e aquecia as mãos de um curandeiro, acariciava a pele de um homem cansado e de uma mulher em trabalho de parto. Ainda hoje, quando um bebê nasce nas colinas da Toscana, é lavado com azeite, pequenas doses esfregadas em cada uma de suas dobrinhas. Em seu leito de morte, um homem é ungido com esse mesmo óleo, sendo purificado de uma outra maneira. E, depois da sua morte, uma vela é acesa e seu corpo é friccionado com azeite, um banho de despedida. O azeite o acompanhou em todas as suas jornadas, exatamente como Atena havia prometido."



As oliveiras são árvores que vivem muitos anos. "São leais como as estrelas. Mas, mesmo quando estão juntas, são tristes, cada uma sozinha,com seu lamento primitivo. As mais velhas parecem torturadas, desajeitadas e grotescas. Como se tivessem guardado histórias demais, seu peito é fendido para revelar o coração valente. Mas até mesmo as mais jovens, ainda elegantes e ilesas, já carregam a marca de uma clara melancolia. Talvez as oliveiras saibam demais."

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Contos dos Cantos do Mundo IV

Inês de Castro

Essa é uma das minhas histórias favoritas. Fala do amor de Pedro e Inês de Castro e do trágico fim imposto ao romance.



No Século XIV, D. Afonso XI, rei de Portugal, acertou o casamento de seu filho D. Pedro, com D. Constanza, herdeira do reino de Castela. Quando D. Constanza veio para Portugal, trouxe consigo uma dama de companhia, chamada Inês de Castro.

Por quem será que D. Pedro se apaixonou? Claro que foi por Inês, pois o coração tem sempre caminhos muito tortuosos.



O casamento foi mantido e D. Pedro desposou D. Constanza, apesar de se dizer que ele manteve o relacionamento com Inês durante esse período.  Mesmo D. Afonso tendo exilado Inês para a fronteira Castelhana, consta que eles se correspondiam frequentemente.


Casamento de D. Pedro e D. Constanza                                       Julgamento de Inês de Castro

Entretanto, D. Constanza faleceu precocemente, ao dar a luz a D. Fernando, futuro rei de Portugal.. Contra a vontade do rei, D. Pedro trouxe Inês de volta do exílio e com ela foi viver.

Há quem sustente que o antagonismo do rei  à união de D. Pedro com Inês de Castro tinha razões políticas (em razão da sua origem familiar e de sua ascendência sobre Pedro), além dos inconvenientes de liturgia social. A morte de Inês de Castro foi decidida em conselho e,  aproveitando a ausência de D. Pedro para uma excursão de caça, ela foi degolada.



Em 1355, a morte de Inês fez com que D. Pedro se revoltasse contra D. Afonso, com quem ficou meses estremecido. Apenas dois anos depois, o Rei morreu e D. Pedro se tornou o oitavo rei de Portugal, em 1357.

Nesta ocasião, teria D. Pedro dito a respeito da sua coroação: "De que adianta? Agora Inês é morta!"*

Uma vez tornado rei, D. Pedro empreendeu seu processo de vingança histórica. Em 1360, fez a Declaração de Catanhede, na qual afirmou -  além do seu capelão e de seu criado -  ter casado em segredo com Inês de Castro, o que legitimou os três filhos tidos com ela.

Em seguida, "perseguiu os assassinos de D. Inês, que tinham fugido para o Reino de Castela. Foram apanhados e executados em Santarém (segundo a lenda, o Rei mandou arrancar o coração de um pelo peito e do outro pelas costas)."

Após isso, "mandou construir os dois esplêndidos Túmulos de D. Pedro I e D. Inês de Castro no mosteiro de Alcobaça, para onde trasladou o corpo de sua amada Inês, em 1361 ou 1362. Juntar-se-ía a ela em 1367."

Entretanto, antes de morrer, conforme  o imaginário popular, D. Pedro coroou Inês morta e fez com que toda a Corte lhe beijasse as mãos em cadáver, prometendo-lhe vassalagem. Por esta razão, diz-se que Inês de Castro reinou depois de morta e fez com que D. Pedro passasse à história como "Pedro, o Cruel".




Em minha modesta opinião, crueldade foi o que fizeram a ele e ao seu intenso amor por Inês de Castro.


* Reconheceu o dito popular???



                                                   ------------------------------------------------------


Em Coimbra, onde hoje funciona o hotel Quinta das Lágrimas, ainda se pode visitar a Fonte dos Amores (onde Pedro e Inês supostamente se encontravam) e a fonte das Lágrimas (onde Inês teria sido morta).








No Mosteiro de Alcobaça, ainda estão expostos os túmulos de D. Pedro e Inês de Castro, embora não mais lado a lado, como posicionados originalmente. Hoje estão colocados um de frente para o outro, "para que D. Pedro e Inês possam se olhar de frente no dia em que ressucitarem".


Túmulo da Inês de Castro                                                                          Túmulo de D. Pedro




segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Contos dos Cantos do Mundo III

Book of Kells

Há muito, muito tempo atrás, numa abadia da Irlanda havia dois monges. Seus nomes eram Annan e Senan e, enquanto um era alto e magro, o outro era baixo e gordinho. Para além das diferenças físicas, no entanto, eles se uniam através de incontáveis semelhanças: eram igualmente gentis, devotados e justos. Eles viviam nesta abadia há exatos vinte e cinco anos, todos os amavam e eles amavam o mundo.

Chegou o dia em que o velho Abade morreu. Ele tinha sido um homem admirável e deixou, além de uma eficiente e bem sucedida abadia, a grande questão: quem seria o próximo Abade? Para a surpresa de todos, o falecido Abade escolheu não deixar decida a questão da sua sucessão. Desde os tempos mais remotos, as abadias da Irlanda sempre mantiveram uma atitude de independência em relação a Roma e aqueles monges acreditavam em escolher seu próprio Abade.

Annan, Senan e os outros monges sabiam que a escolha do novo Abade tinha certa urgência. Quando os monges vieram a se instalar nessas terras, receberam a área para construir o monastério de um fazendeiro local, um homem saudável, que tinha sido batizado pelo próprio São Patrick. Ao longo das próximas quinze gerações, os descendentes do fazendeiro  sempre permitiram que a Abadia ali permanecesse, sob o respeito de apenas uma condição: que eles se sentissem confortáveis com a escolha de cada Abade. Assim, passou a acontecer que eles ou escolhiam o Abade ou ajudavam na escolha.
Quando o velho Abade morreu, as terras pertenciam a uma viúva, chamada Delia, bastante hábil e, como todos, ela também sabia que os dois melhores candidatos eram Annan e Senan. Desde o funeral do velho Abade ela os observava para decidir qual deles seria um melhor líder, mas, quanto mais pensava sobre o assunto, mais confusa ficava. Ela não podia distinguir entre eles,  pois ambos tinham excelentes qualificações. Eles se igualavam em se distinguir dos demais monges como indicados para o cargo.
Esgotadas as tentativas racionais para a escolha, ela desenvolveu uma diferente forma de solução: ela decidiu fazer uma competição entre os dois homens. Sua decisão surgiu do fato de que esse monastério tinha se tornado famoso por seu scriptorium, o mais renomado em toda a igreja Cristã. Em um scriptorium, monges escreviam e pintavam aqueles maravilhosos e coloridos livros sagrados, para ilustrar os hinos e salmos. Os manuscritos produzidos pelos monges marcaram a era de ouro da incipiente Irlanda cristã e fizeram a sua fama de Ilha de santos e estudiosos.

A dona das terras então decidiu que cada um deveria fazer uma página de um livro sagrado. Cada um poderia escolher o texto e então decorar com as belas iluminuras, mas deveria fazê-lo em segredo. Quando estivessem terminadas, elas seriam expostas no refeitório, para que os monges votassem na sua preferida. A mais votada faria do seu autor o novo Abade.
Annan e Senan então combinaram os termos do trabalho e decidiram que fariam o melhor trabalho que pudessem para servir de base a um incrível livro, uma grande e brilhante obra de arte, que não seria utilizado no uso diário, mas ornaria o altar em dias especiais: um ornamento sagrado.

Por seis meses eles trabalharam incessantemente, com as melhores matérias-primas que puderam encontrar. Quando faltavam três dias para o final do prazo, eles então terminaram o seu trabalho ao mesmo tempo, se abraçaram e disseram um ao outro: “não posso esperar para ver sua página.” Emocionadíssimos, contemplaram o trabalho um do outro e depois levaram as páginas cuidadosamente para o refeitório. Annan pendurou a página de Senan e Senan pendurou a página de Annan. Por mais de uma hora, os monges as admiraram maravilhados e concluíram que seria muito difícil decidir quem deveria ganhar.
Comunicaram Delia do término dos trabalhos, que chegou imensamente animada. Ela adorou os trabalhos, mais que todos os outros. Depois de congratular os dois, ela organizou a votação secreta.
Sem contar Annan e Senan, a comunidade tinha duzentos e nove monges. Mais o voto da Delia. Duas caixas que marcavam “Página um” e “Página Dois” foram colocadas na mesa no canto mais escuro do refeitório. Cada monge deveria ir à mesa, escolher um papel colorido e colocar em uma das caixas.
Um a um os monges votaram, depois Delia e, por fim, Annan e Senan, totalizando então duzentos e doze votos. O monge mais velho fez a contagem das cédulas da caixa “Página Um” e todos ficaram admirados, pois nela havia duzentos e onze votos. Isso poderia significar que todos os monges colocaram os papéis numa caixa só por engano ou que todos os votantes, menos um, escolheram a “Página Um”.
Delia, pasma, disse que deveriam ver a segunda caixa. Os monges a olharam estupefatos, tentando imaginar a razão de sua ordem, pois certamente o resultado já era conhecido: o autor da “Página Um” seria o novo Abade. O velho monge então pegou a segunda caixa e começou a contar os votos: duzentos e onze votos! Isso significa que a “Página Um” e a “Página Dois”  receberam o mesmo número de votos.

Uma grande comoção tomou conta do refeitório até que Delia interveio: “Duzentos e nove monges. E eu. Isso seria duzentos e dez votos. Mais Annan e Sennan. Isso seria duzentos e doze votos. Isso quer dizer que quase todos votaram duas  vezes. Eu sei que fiz isso.” Todos aplaudiram  e ela continuou, olhando para Annan e Senan:  “Mas eu esperava que vocês fizessem o desempate”. Annam disse: “Eu votei no Senan” e Senan disse “Eu votei no Annan”.
“Nesse caso” disse Delia, “os dois continuam como estão; vocês administrarão a Abadia juntos. Ao invés de um Abade, vocês terão dois”.

E, assim, reza a lenda, teve início o famoso Book of Kells, o mais famoso dos antigos livros de iluminuras irlandeses. Ele encontra-se exposto permanentemente na biblioteca do Trinity College, em Dublin, onde jaz numa caixa de proteção e as páginas são viradas diariamente, de forma que, a cada dia, uma página pode ser admirada.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Contos dos Cantos do Mundo II

As amendoeiras do Algarve

O algarve é a região sul de Portugal, onde se pode ainda sentir reminiscências dos sete séculos de dominação moura.




Nessa região, assim como em outras áreas de Portugal, existe uma variedade de doces e pratos feitos de amêndoas.

Talvez essa explicação para a origem das amendoeiras não seja a mais verdadeira, mas certamente é a mais romântica...


"Na antiga cidade moura de Xelb (atual Silves), dizem ter vivido um bonito e sensível vizir. Durante uma de suas curtas estadias nas terras do norte, ele se apaixonou e ganhou a mão de uma linda e loira princesa nórdica.

Após desposá-la, levou-a para o Algarve. Logo a jovem princesa começou a definhar, sem encontrar consolo no castelo rosa do mouro. Seu jovem marido finalmente percebeu que a melancolia de sua esposa devia-se à saudade das colinas e vales cobertos de neve de sua terra natal. O vizir decretou que milhares de amendoeiras fossem plantadas por todo o seu reino.




A partir daquele dia, flores dessas árvores cobrem o Algarve no final de janeiro e início de fevereiro. A visão aqueceu o coração da jovem princesa; vendo as flores, ela achou que finalmente poderia cumprir suas obrigações maritais, vivendo feliz para sempre no reino ensolarado de seu vizir, com o cheiro doce dos invernos artificiais... ou pelo assim conta a história."



quinta-feira, 12 de maio de 2011

Contos dos Cantos do Mundo - I

RELÓGIO DE PRAGA

Construído em 1410, o relógio é, há muito, um importante símbolo de Praga. Segundo a lenda, quando o mecanismo foi remodelado no final do século XV, os membros do Conselho Municipal cegaram o seu artista, Mestre Hanus, para que não pudesse repetir sua obra tão perfeita em outro lugar. Em retribuição, Hanus atirou-se dentro do mecanismo do relógio, tendo morte instantânea. O relógio ficou sem funcionar por quase um século depois disto.

Não é possível determinar as horas pelo Relógio Astronômico; para tanto, é preciso subir ao alto da torre da Antiga Prefeitura. Este relógio astronômico, com todos os seus ponteiros e marcadores, tem a finalidade de indicar as fases da lua, os equinócios, as estações do ano e o dia, além de inúmeros feriados da cristandade.




Quando o relógio soa, dando a hora, os assistentes são brindados com uma espécie de encenação moralista dos tempos medievais. Duas portinholas de relógio-cuco se abrem e as estátuas dos 12 apóstolos passam levemente, enquanto o que era entendido como os “males” da vida – o esqueleto da morte, a vaidade como formosura, um turco corrupto e um judeu ganancioso – dançam e se sacodem embaixo. No final da segunda Guerra Mundial, os chifres e a barba foram removidos da figura do judeu portando um saco de dinheiro, hoje polidamente denominada “Ganância”.