Mostrando postagens com marcador Curiosidades a respeito dos vinhos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Curiosidades a respeito dos vinhos. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 8 de abril de 2014

Vinícolas de Portugal



A revista Tam Nas Nuvens de maio do ano passado (2013) trouxe  uma reportagem com sugestão de quatro vinícolas para serem visitadas no interior de Portugal. Como estávamos de Viagem marcada para Portugal e Inglaterra em julho, decidimos incluir algumas dessas vinícolas no nosso roteiro. Escolhemos, pela localização geográfica, a Quinta da Aveleda e a Quinta do Monte D'Oiro.

A Quinta da Aveleda fica localizada em Penafiel, uma pequena cidade a 39 km de carro da cidade do Porto. O melhor hotel da cidadezinha é o Penafiel Park Hotel & Spa. Já antes de irmos, descobri que esse hotel oferece um pacote que incluía drink de boas vindas, o voucher para visitar a Quinta da Aveleda, um jantar no hotel e o uso gratuito do Spa durante a hospedagem.



Esses mimos fizeram da estada em Penafiel um período muito agradável e reconfortante.

Conforme noticiava a revista, a Aveleda se destaca não só pela fabricação dos vinhos verdes, mas pelo deslumbrante jardim botânico que as sucessivas gerações da família foram cultivando com muito esmero.

Já na entrada, encontramos as paisagens que a revista descrevia no outono, com as folhagens do verão.



Andar pela propriedade é ir imergindo numa flora variada e deslumbrante...



... que nos remete a contos de fada e sonhos de infância.



Cada cantinho do imenso jardim é cuidadosamente preservado e até nos fez esquecer que estávamos lá para conhecer os vinhos...



Como a propriedade, além de muito grande, é muito  ativa, na degustação são servidos, além  dos vinhos verdes, os queijos produzidos na própria Quinta.

O vinho verde é uma "denominação de origem controlada" do vinho produzido exclusivamente na região noroeste de Portugal. É um vinho com moderado teor alcóolico e, portanto, menos calórico. Não é um vinho para ser guardado, mas consumido em até dois anos.

A visita é magnífica e, muitos Alvarinhos (a uva "mais carismática" da região do vinho verde) depois,  saí de lá com um imenso prazer de ter passado aquela tarde de verão na Quinta da Aveleda, a vinícola que produz, dentre outros,  o muito conhecido Casal Garcia.




A outra vinícola escolhida para visitarmos foi a Quinta do Monte D'Oiro, que fica no vilarejo de Freixial de Cima, a 59 km de Lisboa.


A revista dizia que a degustação na Quinta do Monte D'Oiro era feita ao som da música de Paganini e, conforme a complexidade do vinho ia aumentando, a música do Paganini ia ganhando complexidade através do número de instrumentos utilizados. Seduzidas pela imagem mental criada pela revista, agendamos uma visita à vinícola.



Nós não fizemos a degustação do Paganini, Na verdade, não fizemos nenhuma degustação, pois quando chegamos, a vinícola estava em frenético funcionamento de produção. Entretanto, de forma muito atenciosa, a enóloga Norma deixou os afazeres e gastou uma hora conosco entre os vinhedos, explicando-nos toda a história e a sutileza da produção dos vinhos produzidos na Quinta.

A Quinta do Monte D'Oiro fez a opção por produzir vinho de castas de uvas francesas. Portanto, um laborioso desafio foi adaptar as castas trazidas da França para o terroir português. Isso, entretanto, possibilitou que os vinhos produzidos ali ganhassem um diferencial dos outros tantos produzidos nas demais vinícolas portuguesas.

Da Quinta do Monte D'Oiro, partimos não só com a alma repleta de informações e curiosidade originada pela atenciosa recepção que nos foi dada, mas com a mala carregada de algumas garrafas dos seus vinhos, para experimentarmos durante a viagem.

Os vinhos são excelentes, mas dos que experimentamos, o nosso preferido foi o Lybra, que sorvido em Londres, encheu-nos dos sabores franceses, produzidos em Portugal...



...o que nos fez ver que, em se tratando de vinho, mais que a nacionalidade, o terroir, ou a casta, o que nos preenche são os goles e a atmosfera criada em torno dos confrades pelo seu sabor e efeito embriagante.




domingo, 17 de abril de 2011

Curiosidades a respeito dos vinhos - III

Beaujolais Nouveau

“Todo ano, na terceira quinta-feira do mês de novembro, os franceses celebram a chegada do seu primeiro vinho. O Beaujolais Nouveau fica pronto aproximadamente dois meses após a colheita. Feito com a uva Gamay, é um vinho leve, fresco e descontraído, com características bem frutadas e bom para ser tomado geladinho.
Trata-se de uma verdadeira festa a celebração da chegada do Beaujolais Nouveau ao mercado. A idéia veio dos comerciantes de Lyon, região do Beaujolais, que produz uma uva capaz de render grandes quantidades de vinho. Para dar saída à produção, eles resolveram lançar seus rótulos mais cedo. Na década de 60, houve uma verdadeira competição entre os produtores locais para ver quem lançava primeiro o seu vinho.
Com o passar do tempo, o interesse pelos Beaujolais Nouveau começou a cair, devido à grande quantidade de exemplares medíocres colocados à venda no mercado. Isso aconteceu justamente por causa da pressa das vinícolas em ‘despejar’ o seu vinho nas prateleiras. Porém, alguns produtores sérios continuaram firmes no seu propósito e não deixaram a tradição morrer.
Como disse antes, o Beaujolais Nouveau é feito com a uva Gamay, que dá origem a vinhos de baixo teor alcoólico e feitos para serem bebidos bem jovens. Na sua produção, os cachos são jogados inteiros nas cubas, sem esmagamento, num processo chamado maceração carbônica, onde a pele da uva é estourada através da fermentação. O objetivo é obter o máximo de cor e aroma.
O Beaujolais Nouveau combina com o clima do Brasil, pois deve ser consumido bem resfriado, por volta  de 14ºC.
(...)
O Brasil também tem o seu Beaujolais Nouveau. Produzido pela Miolo Wine Group, o Gamay é lançado em março, logo após a colheita no Hemisfério Sul. A bebida é feita com a consultoria de Henry Marionnet, considerado pela crítica internacional o papa da variedade Gamay. O vinho tem as mesmas características do ‘primo’ francês – leve e refrescante. O Beaujolais Nouveau não é um vinho para ser avaliado como os outros, e sim apenas festejado. Como diz o sommelier Manoel Beato, trata-se de um ‘vinho de entretenimento’. O importante é que seja consumido até seis meses após a sua fabricação. Depois disso, corre-se o risco de se tomar um vinho ‘vencido’.” (Revista Mon Quartier, nº 15, Novembro/2010)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Curiosidades a respeito dos vinhos - II

Carmenère

Essa eu já tinha ouvido quando visitava a ´Vinícola Concha Y Toro...

"Na encruzilhada de tempo entre os séculos 19 e 20, a praga filoxera devastava sem compaixão os vinhedos da Europa. Entre as cepas sobreviventes, já não se tinha mais a carmenère na lista. Era certa a extinção da uva. Sentença tida como verdade irreversível até meados dos anos 70. Nessa época, após testes motivados para investigar a tipicidade única dos vinhos supostamente feitos com Merlot no Chile, exames de DNA foram aplicados às videiras.

Ao francês Jean-Michel Boursiquot coube a descoberta: o que se tomava (literalmente) como merlot no Chile era, na verdade, a Carmenère. Uma ressurreição logo celebrada em taças mundo afora. Apesar de mudas já terem sido exportadas e a França hoje vinifique timidamente a varietal, o Chile é o único país do mundo com direito legal de ostentar a inscrição carmenère nos rótulos.
O que se deu? Se tecnologia e chuva desta vez não ajudaram, a natureza cuidou de fazer a sua parte. Com a Cordilheira dos Andes de um lado, o Oceano Pacífico no outro, o Deserto de Atacama ao norte e os glaciais ao sul, o Chile tem (se não a maior) uma das maiores proteções fungicidas e bacteriológicas naturais do mundo. A filoxera deu com a cara na porta – ou melhor, na cordilheira. Nunca chegou a encostar numa única videira. A carmenère havia chegado ao Chile no final do século 19, junto às outras cepas européias que deram origem à vinificação no país. E, por mais de setenta anos, permaneceu oculta. Hoje está mais do que evidente. Sobretudo dos vales do Rapel e do Maule, duas destacadas regiões de produção nacional.” (Revista Engenho de Gastronomia nº 12, jun/jul 2006)

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Curiosidades a respeito dos vinhos - I

Bordeaux

"Os vinhos franceses de Bordeaux são admirados e desejados em todo o mundo por sua elegância e sofisticação. A região também é conhecida pela beleza de suas propriedades, com suntuosos palacetes entre vinhedos cuidadosamente cultivados. Boa parte desses locais está às margens do estuário de Gironde, formado pela junção dos rios Dordogne e Garonne. Na margem direita estão as regiões de Pauillac, Margaux, St. Julién e St. Etèphe. E, na esquerda, Saint-Émilion e Pomerol, aclamadas áreas de cultivo da delicada e feminina uva merlot.

Saint-Émilion é uma charmosa cidade medieval da França onde nascem alguns dos mais cobiçados tintos do mundo. Mas uma vinícola ali se destaca também por sua  inusitada história: a Domaine de Saint Martin (hoje Chateau Canon), adquirida em 1760 por Jacques Kanon, um famoso pirata francês que usou fundos de saques a navios ingleses no reinado de Luiz XV para comprar as terras.

Depois de construir no local uma elegante moradia, Kanon a cercou por videiras, e somente de videiras - uma prática de agricultura pouco usual na época. Isso foi uma revolução que ajudou a revelar o imenso potencial do local para a produção de vinhos sutis e delicados de grande qualidade.

Mais tarde, a vinícola foi comprada pelo bordalês Raymond Fontémoing e, em 1919, pela família Fournier, que a vendeu para o grupo Chanel em 1996. Desde então, a Canon vem passando por um processo de modenização, mas sem perder as origens - suas galerias subterrâneas, formadas por pedras usadas nas construções de Saint-Émilion, por exemplo, hoje são usadas para acolher as barricas de carvalho e as garrafas de vinhos." (Arthur Azevedo, in TAM nas Nuvens nº 35, Novembro/2010)

PS - O Clos Canon foi escolhido para ser servido a bordo da Primeira Classe da TAM em 2011.