domingo, 17 de julho de 2011

Protesto



Daí me peguei pensando o que fazer com a nossa afeição quando, de uma hora pra outra, o canal resolve simplesmente não exibir mais a sua série favorita?

De repente, um produtor chega com uma proposta de uma série nova, nos apresenta os personagens e começa a narrar suas estórias de forma tão envolvente que não nos resta outra alternativa a não ser nos envolvermos com suas vidas e nos afeiçoarmos a eles de tal maneira que os dias da semana passam a correr de forma a chegar no dia do novo episódio.

As temporadas se sucedem e, ao longo dos anos, verdadeiramente nos apaixonamos por aquelas pessoas tão queridas, com quem nos encontrávamos todas as segundas, ou quartas, ou terças...

Aí um dia, sem que nada tenha te alertado, descobre-se que só haverá mais dois episódios e a série não será mais exibida.

Porque?? Porque a audiência não está sendo a esperada... A audiência é medida em números, não em grau de satisfação daqueles que assistem!!!

E aí? O que fazer com a nossa afeição?

Sei que a minha irresignação não adianta absolutamente nada, assim como aconteceu com Felicity e Everwood, mas gostaria de apenas registrar o meu protesto sobre o fim de Brothers sand Sisters.

Não mais jantares etilica e hilariamente mal terminados; adeus Sarah, Kitty, Norah, Saul, Justin... So long Kevin e Scott!! Não mais conversas coletivas truncadas em telefones . Não mais segredos mal guardados e pessimamente revelados. Não mais...


 

Adendo em 24/07/2011
...Sobre o último capítulo, tenho a dizer que gostei. As histórias deixadas em aberto me deixaram justamente a sensação de que a vida continua e seguiremos por aí, com a saudadezinha no coração de mais estas pessoas queridas, que não veremos mais.

Fica a imagem do encerramento com a Norah citando George Eliot: "Nunca é tarde demais para sermos aquilo que poderíamos ter sido".

Indeed!!!

domingo, 3 de julho de 2011

Balão, montgolfière ou O Sonho de Ícaro

Uma outra questão a respeito da qual a pessoa acaba tendo que se posicionar é se gosta de voar ou não. Nos dias de hoje, para percorrer grandes distâncias, acabamos tendo que usar aviões, mas boa parte das pessoas faz isso como um esforço, um desconforto necessário.

Voar, para mim, desde a primeira vez em que isso me aconteceu, foi um imenso prazer. Grandes aeronaves me servem sem percalços, mas o sentimento lúdico me é inversamente proporcional ao tamanho da aeronave. Meu vôo preferido desde a adolescência foi num monomotor.

O encanto pelos balões foi crescendo nas oportunidades que via menções sobre eles, até que no ano passado, em Estocolmo, fui resolutamente à procura de uma empresa que fazia os passeios. Para meu infortúnio, que cheguei no inicio de outubro, os vôos só eram feitos no verão, até o final de setembro.

Desta vez, no Vale do Loire, vimos os panfletos dos passeios de montgolfière (balão em francês) e decidimos fazê-lo. Após alguns obstáculos de empresas com agenda lotada ou que não operavam aos domingos (nosso dia disponível para voar), consegui falar pelo meu celular, em francês, com uma empresa que nos orientou a estar numa cidadezinha chamada Chaumont sur Loire, num estacionamento de uma determinada rua, às seis horas da manhã (!!!). Os vôos são feitos sempre ao amanhecer ou ao entardecer.

Feitos os ajustes de logísticas para estar na tal cidadezinha, conseguimos chegar ao local combinado na hora marcada. Lá encontramos outras pessoas que haviam agendado o passeio e equipes responsáveis por dois balões, munidas cada uma delas de um jeep para transportar os passageiros e uma carrocinha que trazia o balão.




A primeira providência tomada foi encher um balão com gás hélio e soltá-lo para verificar o sentido do vento e decidir o rumo que tomaríamos. Seguimos então de carro por uns vinte minutos até um campo onde poderíamos armar o balão. Sim!! Os passageiros devem ajudar as equipes a montar os balões.




Montados os dois balões e devidamente embarcados os passageiros, o ar começa a ser aquecido para que o balão ganhe altitude. Tudo acontece de forma muito tranqüila e silenciosa. Todos, muito ansiosos pela nova experiência, ficam calados e o único som que se ouve é do maçarico que esquenta o ar do balão.



A sensação é maravilhosa. No ar fresco da manhã, plainamos sobre os bosques, ouvindo os pássaros e vendo coelhos correrem pelo solo. Não há necessidade de o maçarico ficar ligado o tempo todo e, quando ele se apaga, reina o mais completo silêncio lá em cima.




Ao longo de uma hora, voamos de volta, no sentido de Chaumont, sempre tendo como referência o curso do Rio Loire.






A aterrissagem é bem mais emocionante do que a decolagem. Escolhido um campo aberto, ficamos todos virados de costas para o ponto de toque no chão e agarrados ao cesto do balão, pois ao pousar, ele tomba lateralmente no solo, pois a lona é liberada para murchar. Quando pousamos, o carro que nos levou para o ponto de decolagem já nos esperava no ponto de resgate. Assim como no início, os passageiros ajudam a desmontar e guardar o balão.



Terminados os trabalhos, nos foi oferecido uma taça de champagne para brindarmos ao nosso batismo. Como partimos muito cedo e, a essa altura, estávamos ainda de estômago vazio, nos foi ofertado também um delicioso croissant.





Esta foi uma das mais deliciosas aventuras que já vivi e, para aqueles que não têm problemas com altura ou vôos, recomendo a experiência.


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sábado, 2 de julho de 2011

Posição

Tem coisas sobre as quais somos chamados a nos posicionar em algum momento da nossa vida. Mais cedo ou mais tarde, temos que decidir se gostamos (ou não) de acampar; se somos liberais ou conservadores (ou nenhum dos dois); se somos seres diurnos ou notívagos, etc... São polaridades que nos impedem de ocupar as extemidades simultaneamente. Ou bem você está de um lado ou de outro. Nenhuma dessas questões são essenciais para nossa existência, mas ao definí-las, determinamos, de alguma forma, o modo como nos colocamos no nosso contexto diário.

Ao passearmos pelo Vale do Loire, na França, deparamo-nos com inúmeros (muitos mesmo, dos mais diversos tamanhos e formas) Chateaus. Dentre todos os que tive a oportunidade de conhecer, os mais imponentes e majestosos são Chambord e Chenonceau. Ao passear pelos seus jardins e conhecer os seus aposentos, senti a necessidade de definir qual dos dois eu prefiria. Que estilo mais me agrada? Afinal, sou uma pessoa estilo Chambord ou estilo Chenonceau?

Chambord
Embora seja o maior palácio do vale do rio Loire, foi construído apenas para servir de pavilhão de caça para Francisco I, que mantinha a sua residência no Chateau de Blois e no Chateau d'Amboise.


O Château de Chambord visto do ar

Durante o reinado de Francisco I, o palácio raramente esteve habitado: o rei passou lá apenas 7 semanas no total, englobadas em curtas visitas de caça. Como o palácio tinha sido construído com o propósito de receber curtas visitas, não era realmente prático viver ali por muito tempo. As massivas salas, janelas abertas e tectos altos eram impossíveis de aquecer. Além disso, como não estava próximo de nenhuma povoação, não havia outras fontes imediatas de alimentos além dos gamos. Isso significava que todos os alimentos tinham que ser trazidos com o grupo, habitualmente com números superiores a 2.000 pessoas de cada vez.

Como resultado de tudo isso, o palácio permaneceu completamente desmobiliado durante esse período. Toda a mobília, coberturas de paredes, utensílios para a alimentação e por aí fora, eram trazidos especificamente para cada viagem de caça, um grande exercício de logística. Por esse motivo muita da mobília da época foi feita para ser facilmente desmontada, como forma de facilitar o transporte.

Durante mais de oitenta anos depois da morte de Francisco I, os reis franceses abandonaram Chambord, levando-o a um estado de decadência. Finalmente, em 1639, Luis XIII deu-o ao seu irmão, Gaston, Duque de Orleães, que o salvou da ruína, ao realizar vastas obras de restauro. Luis XIV fez o restauro da grande fortaleza e mobilou os apartamentos reais. O rei acrescentou, então, um estábulo para 300 cavalos, permitindo o uso do castelo como pavilhão de caça e como local de recreio para notáveis como Molière, por algumas semanas por ano. Apesar de tudo, Luis XIV abandonou o palácio em 1685. 

Depois de Luis XV, Stalinistas e  Napoleão Bonaparte terem por lá passado sem fincar raízes, a tentativa final de dar uso ao colosso veio do Conde de Chambord e seus herdeiros.  Qualquer tentativa de restauro terminou com o eclodir da Primeira Guerra Mundial. Em 1939, pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial, as colecções de arte dos museus do Louvre e Compiègne (incluindo a  Mona Lisa e a Venus de Milo) foram guardadas no Chateau de Chambord.

O palácio tornou-se propriedade do Governo da França em 1930 mas os trabalhos de restauro só começaram alguns anos depois do final da da Segunda Guerra Mundial. Atualmente, Chambord é uma das principais atracções turísticas da França.




Chenonceau

O Castelo de Chenonceau (também conhecido como Castelo das Sete Damas),  foi construído no local de um antigo moinho, em posição dominante sobre as águas do rio Cher  e a sua história está associada a sete mulheres de personalidade forte, duas das quais rainhas de França.

A construção atual originou-se dum pequeno castelo erguido no século XIII. O edifício original foi incendiado em 1411 para punir o seu proprietário. Este reconstruiu o castelo e moinho fortificado no local. O seu endividado herdeiro, vendeu o castelo a Thomas Bohier, Camareiro do Rei Carlos VIII. Bohier destruiu o castelo existente, conservando a torre de menagem e construiu uma residência inteiramente nova.  Mais tarde, o filho de Bohier foi desapropriado, sendo o chateau entregue ao Rei Francisco I por débitos não pagos à Coroa.

Depois da morte deste monarca, em 1547, Henrique II ofereceu o palácio como presente à sua amante, Diane de Poitiers, a qual mandou construir a ponte arcada, juntando o palácio à margem oposta do Rio Cher. Ela  foi a inquestionável senhora do palácio, até a morte de Henrique II, quando a sua viúva e regente, Catarina de Médicis despojou Diane da propriedade. A Rainha Catarina fez então de Chenonceau a sua residência favorita.


Castelo de Chenonceau: entrada.
Como regente da França, Catarina podia gastar uma fortuna no palácio e em espectaculares festas noturnas. Em 1560, as primeiras exibições de fogos de artifício alguma vez vistas na França tiveram lugar em Chenonceau, durante a celebração que marcou a ascensão do seu filho, Francisco II, ao trono.

Entre as marcas que imprimiu ao conjunto, determinou a construção  de um novo aposento, exatamente por cima da ponte construída pela sua rival. Esse imenso salão sobre o rio, com dois andares e a extensão de sessenta metros de comprimento por seis de largura, ficou conhecido como a Grande Galeria e tornou-se  marca característica do palácio.



O Castelo de Chenonceau visto a partir dos jardins de Catarina de Médici.
  

O Castelo de Chenonceau visto do jardim de Diane de Poitiers.
Quanto a mim... fiquei indubitavelmene do lado da Catarina, que não era nenhuma plebéia que tinha se casado com o Rei da França, mas oriunda da nobilissima familia dos Medicis fiorentinos. Acho que foram suas alterações feitas no Castelo -  especialmente a construção das galeria sobre a  ponte -  que lhe deram o caráter arrebatador que tem hoje.


Entre Chambord e Chenonceau... eu sou estilo Chenonceau.



*Informações extraídas e editadas da Wikipédia.



sábado, 14 de maio de 2011

Lugar Certo II

Como eu já havia dito antes, viajar é muito bom, mas é excelente quando se está num determinado lugar no momento certo. 
                                                    Cannes, maio/2008

                                                        Cannes, maio/2008 

Ah!! Maio, definitivamente é o tempo de Cannes, em razão do festival de cinema.

                                                         Cannes, maio/2008 



quinta-feira, 12 de maio de 2011

Contos dos Cantos do Mundo - I

RELÓGIO DE PRAGA

Construído em 1410, o relógio é, há muito, um importante símbolo de Praga. Segundo a lenda, quando o mecanismo foi remodelado no final do século XV, os membros do Conselho Municipal cegaram o seu artista, Mestre Hanus, para que não pudesse repetir sua obra tão perfeita em outro lugar. Em retribuição, Hanus atirou-se dentro do mecanismo do relógio, tendo morte instantânea. O relógio ficou sem funcionar por quase um século depois disto.

Não é possível determinar as horas pelo Relógio Astronômico; para tanto, é preciso subir ao alto da torre da Antiga Prefeitura. Este relógio astronômico, com todos os seus ponteiros e marcadores, tem a finalidade de indicar as fases da lua, os equinócios, as estações do ano e o dia, além de inúmeros feriados da cristandade.




Quando o relógio soa, dando a hora, os assistentes são brindados com uma espécie de encenação moralista dos tempos medievais. Duas portinholas de relógio-cuco se abrem e as estátuas dos 12 apóstolos passam levemente, enquanto o que era entendido como os “males” da vida – o esqueleto da morte, a vaidade como formosura, um turco corrupto e um judeu ganancioso – dançam e se sacodem embaixo. No final da segunda Guerra Mundial, os chifres e a barba foram removidos da figura do judeu portando um saco de dinheiro, hoje polidamente denominada “Ganância”.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Aconchego

Essa é a Julia Childs. A verdadeira, não a Meryl Streep do filme Julie and Julia.

                                                        * A foto da Life eu peguei no Chucrute com Salsicha

Dá uma vontade danada de me infurnar na sua cozinha e esquecer da vida...

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Run Forrest, run!!

Dos tesouros recolhidos que trazemos na bagagem, valiosas são aquelas lembranças gastronômicas, olfativas e até musicais que recolhemos ao longo da estrada. Seu valor aumenta ainda mais se são pequenas descobertas fortuitas, das quais nunca tinha ouvido falar.



A primeira vez que me deparei com o Bubba Gump eu estava em New Orleans. O aroma do alho que vinha da sua cozinha, às margens do Rio Mississipi, na hora do almoço... não deixou espaço para outra opção.

Fisgada pela fome e pelo apelo olfativo, fui reparando nos detalhes da decoração. Tudo me parecia um pouco familiar até que reparei na plaquinha encima da mesa, para sinalizar aos garçons se você quer ser servido: "Run Forrest, run!". A ficha então caiu que era um restaurante temático do filme Forrest Gump.



No filme, quando Forrest está nas trincheiras da Guerra do Vietnã, ele faz amizade com Bubba. Os dois sonham com o fim da guerra e fazem planos de comprar um barco pesqueiro de camarão para abrir um restaurante...

Na decoração do restaurante há vários objetos e frases dos filme, o que significa diversão para os admiradores da estória, mas o ponto alto da experiência fica a cargo dos camarões, que podem ser degustados de inúmeras maneiras e formas de preparo: desde os mais óbvios, como o alho e óleo e molho para massas, até o empanado com lascas de coco!

Foi servidão desde a primeira dentada e certeza de uma nova parada nos Bubba Gump de São Francisco e Los Angeles. Ainda tem muitos pratos a serem experimentados para que eu não ceda à tentação de entrar em todo Bubba Gump que eu passar pela frente...