segunda-feira, 11 de junho de 2012

Mescla de Paixões

Tem coisa melhor do que fazer o que a gente gosta? Tem. Fazer duas coisas que a gente gosta ao mesmo tempo. Eu percebi isso ao começar a me proporcionar, durante as minhas viagens - que são a minha maior paixão -, o prazer de ir ao cinema - minha segunda melhor forma de viajar.

Minhas primeiras incursões foram em Portugal, onde não há dificuldade alguma, exceto o desagradável costume (na minha modesta opinião) de parar a projeção do filme e fazer um intervalo de quinze minutos!

 Depois, resolvi alçar vôo sem as legendas em português, ao assistir Vicky Cristina Barcelona, em Nova York. Ora, tem lugar melhor pra assistir um filme do Woody Allen?

 
 A experiência foi ótima. Ainda que a apreensão não tenha sido de 100% dos diálogos - especialmenmte os tipicamente rápidos de Woody Allen -, deu pra acompanhar muito bem a história. Eventuais lacunas podem, ser preenchidas posteriormente em casa, com um DVD.

O prazer da experiência me fez desejar repetí-la em outras oportunidades e lugares...

Foi assim que vi Comer, Rezar e Amar em Estocolmo...


... e, recentemente, The Deep Blue Sea, em Helsinky.

 

Como a Finlândia integrou a Suécia por muitos séculos, lá se sente ainda muito da sua influência, sendo o sueco uma das línguas oficiais. Portanto, no cinema, o filme falado em inglês é exibido com legendas simultâneas em sueco e finlandês.


 

Para aqueles que amam o cinema, recomendo que não se privem desse costume quando estiverem fora. Mais do que a perfeita compreensão de todos os diálogos, ir ao cinema durante uma viagem é um gosto que só potencializa o prazer de viajar.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Mergulho dentro de um sonho

ROLAND GARROS

Num dia desses, assisti "As Praias de Agnés", um filme que eu estava paquerando há algum tempo... O filme foi feito pela cineasta Agnés Varda e fala das suas próprias lembranças de uma forma leve, tocante e divertida. Ela começa o filme com a seguinte frase: "Se você abrir uma pessoa, irá achar paisagens. Se me abrir, encontrará praias."

Tenho me lembrado muito dessa frase, pois, ultimamente, dentro de mim há uma só paisagem.


 

Acho que dentro da gente tem aspirações que vão crescendo, até se tornarem sonhos. Um dia, esse sonho amadurece a ponto de poder virar realidade. Foi assim que eu fui parar em Paris, em maio, durante a realização do torneio de Roland Garros 2012. 

Foi num dos dias da terceira rodada que eu entrei num dos templos maiores do esporte do tênis.


Meu ticket dava direito a acessar as duas quadras principais (Court Suzanne-Lenglen e Court Philipe-Chatrier), além das diversas outras quadras menores.

Na Philipe-Chartrier, o francês R. Gasquet recebia o apoio dos compatriotas para vencer J. Zopp...


...enquanto na Court nº 02, D. Ferrer vencia L. Lacko...


... e na Court nº 03, J. Chardy e YH. Lu se degladiavam num jogo longo, disputado e muito emocionante!


 
Conforme a vibração da disputa vai aumentando e os gritos dos torcedores vão sendo ouvidos das outras quadras, as filas para entrar na quadra palco do jogo vão aumentando. Ao contrário das quadras principais - nas quais há lugares marcados e numerados -, nas quadras menores só se pode entrar quando alguém sai e libera um lugar nas arquibancadas.
Enquanto se decide a que jogo assistir ou compra-se um lanche ou souvenir, o telão da praça central traz as informações dos jogos em andamento e imagens dos diversos jogos simultâneos...

 
Até que chega a hora do principal jogo do dia... 


...e a Court Philippe-Chartrier lota para assistir o jogo de S. Bolelli e R. Nadal.


 Estar lá, tão pertinho de jogadores que aprendemos a admirar e se tornaram nossos ídolos, faz desse momento um dos mais especiais que um fã pode vivenciar...


... e deixa incubado na gente o desejo de que tal emoção possa se repetir... 

 
...nesse ou num dos outros templos do esporte em raquetes!

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Contos dos Cantos do Mundo IV

Inês de Castro

Essa é uma das minhas histórias favoritas. Fala do amor de Pedro e Inês de Castro e do trágico fim imposto ao romance.



No Século XIV, D. Afonso XI, rei de Portugal, acertou o casamento de seu filho D. Pedro, com D. Constanza, herdeira do reino de Castela. Quando D. Constanza veio para Portugal, trouxe consigo uma dama de companhia, chamada Inês de Castro.

Por quem será que D. Pedro se apaixonou? Claro que foi por Inês, pois o coração tem sempre caminhos muito tortuosos.



O casamento foi mantido e D. Pedro desposou D. Constanza, apesar de se dizer que ele manteve o relacionamento com Inês durante esse período.  Mesmo D. Afonso tendo exilado Inês para a fronteira Castelhana, consta que eles se correspondiam frequentemente.


Casamento de D. Pedro e D. Constanza                                       Julgamento de Inês de Castro

Entretanto, D. Constanza faleceu precocemente, ao dar a luz a D. Fernando, futuro rei de Portugal.. Contra a vontade do rei, D. Pedro trouxe Inês de volta do exílio e com ela foi viver.

Há quem sustente que o antagonismo do rei  à união de D. Pedro com Inês de Castro tinha razões políticas (em razão da sua origem familiar e de sua ascendência sobre Pedro), além dos inconvenientes de liturgia social. A morte de Inês de Castro foi decidida em conselho e,  aproveitando a ausência de D. Pedro para uma excursão de caça, ela foi degolada.



Em 1355, a morte de Inês fez com que D. Pedro se revoltasse contra D. Afonso, com quem ficou meses estremecido. Apenas dois anos depois, o Rei morreu e D. Pedro se tornou o oitavo rei de Portugal, em 1357.

Nesta ocasião, teria D. Pedro dito a respeito da sua coroação: "De que adianta? Agora Inês é morta!"*

Uma vez tornado rei, D. Pedro empreendeu seu processo de vingança histórica. Em 1360, fez a Declaração de Catanhede, na qual afirmou -  além do seu capelão e de seu criado -  ter casado em segredo com Inês de Castro, o que legitimou os três filhos tidos com ela.

Em seguida, "perseguiu os assassinos de D. Inês, que tinham fugido para o Reino de Castela. Foram apanhados e executados em Santarém (segundo a lenda, o Rei mandou arrancar o coração de um pelo peito e do outro pelas costas)."

Após isso, "mandou construir os dois esplêndidos Túmulos de D. Pedro I e D. Inês de Castro no mosteiro de Alcobaça, para onde trasladou o corpo de sua amada Inês, em 1361 ou 1362. Juntar-se-ía a ela em 1367."

Entretanto, antes de morrer, conforme  o imaginário popular, D. Pedro coroou Inês morta e fez com que toda a Corte lhe beijasse as mãos em cadáver, prometendo-lhe vassalagem. Por esta razão, diz-se que Inês de Castro reinou depois de morta e fez com que D. Pedro passasse à história como "Pedro, o Cruel".




Em minha modesta opinião, crueldade foi o que fizeram a ele e ao seu intenso amor por Inês de Castro.


* Reconheceu o dito popular???



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Em Coimbra, onde hoje funciona o hotel Quinta das Lágrimas, ainda se pode visitar a Fonte dos Amores (onde Pedro e Inês supostamente se encontravam) e a fonte das Lágrimas (onde Inês teria sido morta).








No Mosteiro de Alcobaça, ainda estão expostos os túmulos de D. Pedro e Inês de Castro, embora não mais lado a lado, como posicionados originalmente. Hoje estão colocados um de frente para o outro, "para que D. Pedro e Inês possam se olhar de frente no dia em que ressucitarem".


Túmulo da Inês de Castro                                                                          Túmulo de D. Pedro




segunda-feira, 30 de abril de 2012

Fiordes Noruegueses

Os fiordes são grandes entradas de mar em volta de altas montanhas. São o contrário das penínsulas, que são faixas de terra que entram no mar.

Há fiordes por todo o globo,  mas os mais famosos situam-se principalmente na costa oeste da península escandinava, especialmente na Noruega. Os fiordes noruegueses tiveram origem na erosão das montanhas por causa do gelo, abundante na região devido ao clima muito frio.

Minha aventura de conhecer os fiordes noruegueses começou em Oslo, de onde parte um passeio*, indicado pela minha amiga Inox.




Nesse passeio-viagem, o trajeto de Oslo até Bergen (segunda maior cidade da Noruega, situada no sudoeste do país) é feito de trem-barco-trem e ônibus, passando pelos conhecidos fiordes.

O primeiro trecho da viagem, feito de trem, propicia uma interessante observação das paisagens, na qual se percebe o paulatino endurecimento do clima, até vencermos a primeira cadeia de montanhas.

No início, tudo era lindo e colorido pelas cores do outono...




Aos poucos, começamos a notar os picos das montanhas gelados e as áreas nevadas íam crescendo rapidamente...




De repente, começamos a perceber grandes áreas de rio congelado e percebemos flocos de neve caindo...




No final, a paisagem nos fez lembrar da Sibéria e passamos por uma troca de trens em plena tempestade de neve!





Com sorte, superamos a alta cadeia de montanhas e descemos até áreas mais baixas...

 
 ...onde tomaríamos os barcos, para deslizar pelos fiordes.



A travessia pelos fiordes, especialmente se comparada com o trecho ferroviário, é mansa e tranquila.


 Em cada curva dos fiordes entrevê-se mais uma cadeia de montanhas...


...com impressionantes paredões de pedra e charmosas cachoeiras.






No final da viagem, chega-se a Bergen, uma encantadora cidade à beira-mar, situada sobre sete colinas. 


Em Bergen, além dos trolls...


do Bryggen, bairro medieval, que é patrimônio da humanidade pela Unesco...


...tem um monte de museus. 

O citycard, que geralmente dá direito ao uso de transportes públicos, em Bergen inclui acesso a vários museus. Um diferencial bem interessante!

A travessia pela Noruega, através dos fiordes, é uma experiência única em qualquer época do ano. No verão, entretanto, o passeio inclui um encontros com barcos vikings ou espetáculos de música. 


*Passeios de Oslo para Bergen podem ser adquiridos no site da empresa NSB: http://www.nsb.no/